Um homem caminhava pela praia numa noite de lua cheia e pensava:
"Se tivesse um carro novo, seria feliz."
"Se tivesse uma casa grande, seria feliz."
"Se tivesse um excelente trabalho, seria feliz."
"Se tivesse uma parceira perfeita, seria feliz."
Nesse momento, tropeçou em uma pequena sacola cheia de pedras e começou jogá-las uma a uma no mar.
E a cada vez dizia: "Seria feliz se tivesse..."
Assim fez até que restou apenas uma pedrinha, que decidiu guardar.
Ao chegar em casa percebeu que aquela pedrinha tratava-se de um diamante muito valioso.
Quantos diamantes teria jogado ao mar sem parar para pensar?
Muitas vezes nós também jogamos fora nossos preciosos tesouros, esperando o que acreditamos ser perfeito.
"Se você ainda não pode ter o que sonha,
Dê valor e ame o que você tem!"
***
Muito perto de si está a sua felicidade. Cada pedrinha deve ser observada - pode ser um diamante valioso. Depende de cada um aproveitá-la ou lançá-la ao mar do esquecimento para nunca mais recuperá-la.
quinta-feira, 12 de junho de 2008
quinta-feira, 5 de junho de 2008
O Inimigo
Sentir raiva e gostar, é quase a mesma coisa.
Ódio e Amor. Tanto faz.
As pessoas que detestamos ocupam um tempo em nossas cabeças: o tempo para detestá-las, o tempo de arquitetar planos imaginários ou reais em que a pessoa odiada se ferra, enquanto que nós nos damos bem. O tempo em que gastamos para falar mal dela para terceiros. O tempo em que nos preocupamos em sobrepor nossas idéias e nossos pontos de vista como os melhores e verdadeiros. O tempo que gastamos para provar o quão louca e sem razão é a pessoa que detestamos.
Sentir raiva demanda muito de nossas energias e aproxima. Como a raiva aproxima! Nos põe no mesmo barco, quase amantes. A indiferença sim, distancia. A indiferença coloca a pessoa odiada do tamanho de uma formiga, e tudo o que a formiga fizer, não atinge. A indiferença não pressupõe vinganças, ataques obscuros, e na raiva, tudo é obscuro. Enquanto no amor se pode dividir os sentimentos, partilhar, conversar sobre os problemas e conflitos, na raiva tudo é simulado e nada é conversado ou esclarecido. Começando por negar a própria raiva e simular indiferença. Fingir que essa pessoa tão detestada é aquela formiguinha que não nos atinge.
Finge-se indiferença enquanto que na verdade se detesta do fundo do coração.
E como dói! Dói tanto não gostar que tantas vezes ficamos tentados a chegar às pessoas que detestamos e abrir nosso coração, e esclarecer tudo, botar em pratos limpos todos os motivos do ódio, que basicamente, independente de toda a situação que gerou o conflito, e é só um:
“Olha, eu lhe detesto por você ser o que é, porque você tem uma lista de defeitos intoleráveis. Todo mundo tem defeitos, certo, ninguém é perfeito. Mas os seus são inaceitáveis! Eu não posso aceitar alguém como você, compreende?”
Mas, quando se tem a liberdade de chegar a uma pessoa e desfilar sua lista de defeitos na intenção de esclarecer e limpar uma situação é porque se tem um vínculo de amizade muito maior do que qualquer raiva que tenha surgido, e provavelmente se é mais amigo do que inimigo.
O verdadeiro inimigo não lhe dá essa liberdade. Para o inimigo não se pode abrir o coração porque muito provavelmente ele irá tripudiar de seus sentimentos. O inimigo falta com a verdade, e lhe negará a raiva que também sente por você, e dirá: “ora, eu não lhe odeio, você para mim é uma formiguinha”.
O inimigo não quer a verdade, ele quer vencer. Quer vencer sobre você e não tem melhor arma para ele do que a sua disposição para abrir o coração. E ainda tem mais: quando se vence seu inimigo, quando se diz a última palavra, quando se tripudia e se consegue, finalmente, humilhar tão vil pessoa, essa a quem se detesta, o coração não se alivia e continua amargurado, continua com aquela mesma ambigüidade da raiva, porque a raiva atrai. Já não disse isso? Sentir raiva e gostar, ambos os sentimentos ligam as pessoas e as põe no mesmo barco.
Para aliviar o coração que odeia só há dois caminhos: aceitar e amar o inimigo como a pessoa que ele é e com todos os seus defeitos, ou perceber que realmente ele é alguém que não vale a pena e então descarta-o verdadeiramente, o que compreende não odiá-lo, ou perder qualquer segundo sentindo raiva por sua pessoa. E ambas as coisas são difíceis.
******
A amizade não se busca, não se sonha, não se deseja; ela exerce-se, é uma virtude. A única maneira de fazer amigos é sê-lo nós próprios.
(Simone Weil)
Ódio e Amor. Tanto faz.
As pessoas que detestamos ocupam um tempo em nossas cabeças: o tempo para detestá-las, o tempo de arquitetar planos imaginários ou reais em que a pessoa odiada se ferra, enquanto que nós nos damos bem. O tempo em que gastamos para falar mal dela para terceiros. O tempo em que nos preocupamos em sobrepor nossas idéias e nossos pontos de vista como os melhores e verdadeiros. O tempo que gastamos para provar o quão louca e sem razão é a pessoa que detestamos.
Sentir raiva demanda muito de nossas energias e aproxima. Como a raiva aproxima! Nos põe no mesmo barco, quase amantes. A indiferença sim, distancia. A indiferença coloca a pessoa odiada do tamanho de uma formiga, e tudo o que a formiga fizer, não atinge. A indiferença não pressupõe vinganças, ataques obscuros, e na raiva, tudo é obscuro. Enquanto no amor se pode dividir os sentimentos, partilhar, conversar sobre os problemas e conflitos, na raiva tudo é simulado e nada é conversado ou esclarecido. Começando por negar a própria raiva e simular indiferença. Fingir que essa pessoa tão detestada é aquela formiguinha que não nos atinge.
Finge-se indiferença enquanto que na verdade se detesta do fundo do coração.
E como dói! Dói tanto não gostar que tantas vezes ficamos tentados a chegar às pessoas que detestamos e abrir nosso coração, e esclarecer tudo, botar em pratos limpos todos os motivos do ódio, que basicamente, independente de toda a situação que gerou o conflito, e é só um:
“Olha, eu lhe detesto por você ser o que é, porque você tem uma lista de defeitos intoleráveis. Todo mundo tem defeitos, certo, ninguém é perfeito. Mas os seus são inaceitáveis! Eu não posso aceitar alguém como você, compreende?”
Mas, quando se tem a liberdade de chegar a uma pessoa e desfilar sua lista de defeitos na intenção de esclarecer e limpar uma situação é porque se tem um vínculo de amizade muito maior do que qualquer raiva que tenha surgido, e provavelmente se é mais amigo do que inimigo.
O verdadeiro inimigo não lhe dá essa liberdade. Para o inimigo não se pode abrir o coração porque muito provavelmente ele irá tripudiar de seus sentimentos. O inimigo falta com a verdade, e lhe negará a raiva que também sente por você, e dirá: “ora, eu não lhe odeio, você para mim é uma formiguinha”.
O inimigo não quer a verdade, ele quer vencer. Quer vencer sobre você e não tem melhor arma para ele do que a sua disposição para abrir o coração. E ainda tem mais: quando se vence seu inimigo, quando se diz a última palavra, quando se tripudia e se consegue, finalmente, humilhar tão vil pessoa, essa a quem se detesta, o coração não se alivia e continua amargurado, continua com aquela mesma ambigüidade da raiva, porque a raiva atrai. Já não disse isso? Sentir raiva e gostar, ambos os sentimentos ligam as pessoas e as põe no mesmo barco.
Para aliviar o coração que odeia só há dois caminhos: aceitar e amar o inimigo como a pessoa que ele é e com todos os seus defeitos, ou perceber que realmente ele é alguém que não vale a pena e então descarta-o verdadeiramente, o que compreende não odiá-lo, ou perder qualquer segundo sentindo raiva por sua pessoa. E ambas as coisas são difíceis.
******
A amizade não se busca, não se sonha, não se deseja; ela exerce-se, é uma virtude. A única maneira de fazer amigos é sê-lo nós próprios.
(Simone Weil)
Assinar:
Comentários (Atom)
