sábado, 30 de agosto de 2008

A Mariposa e a Estrela

Conta a lenda que uma jovem mariposa de corpo frágil e alma sensível voava ao sabor do vento certa tarde, quando viu uma estrela muito brilhante e se apaixonou.

Voltou imediatamente para casa, louca para contar à mãe que havia descoberto o que era o amor, mas a mãe lhe disse friamente: que bobagem! As estrelas não foram feitas para que as mariposas possam voar em torno delas. Procure um poste ou um abajur e se apaixone por algo assim; para isso nós fomos criadas.

Decepcionada, a mariposa resolveu simplesmente ignorar o comentário da mãe e permitiu-se ficar de novo alegre com a sua descoberta e pensava: que maravilha poder sonhar!

Na noite seguinte, a estrela continuava no mesmo lugar, e ela decidiu que iria subir até o céu, voar em torno daquela luz radiante e demonstrar seu amor. Foi muito difícil ir além da altura com a qual estava acostumada, mas conseguiu subir alguns metros acima do seu vôo normal. Entendeu que, se cada dia progredisse um pouquinho, iria terminar chegando à estrela. Então armou-se de paciência e começou a tentar vencer a distância que a separava de seu amor.

Esperava com ansiedade que a noite descesse e, quando via os primeiros raios da estrela, batia ansiosamente suas asas em direção ao firmamento.

Sua mãe ficava cada vez mais furiosa e dizia: estou muito decepcionada com a minha filha. Todas as suas irmãs e primas já têm lindas queimaduras nas asas, provocadas por lâmpadas! Você devia deixar de lado esses sonhos inúteis e arranjar um amor que possa atingir.

A jovem mariposa, irritada porque ninguém respeitava o que sentia, resolveu sair de casa. Mas no fundo, como aliás sempre acontece, ficou marcada pelas palavras da mãe e achou que ela tinha razão.

Por algum tempo tentou, mas seu coração não conseguia esquecer a estrela e, depois de ver que a vida sem o seu verdadeiro amor não tinha sentido, resolveu retomar sua caminhada em direção ao céu.

Noite após noite, tentava voar o mais alto possível, mas, quando a manhã chegava, estava com o corpo gelado e a alma mergulhada na tristeza. Entretanto, à medida que ia ficando mais velha, passou a prestar atenção a tudo que via à sua volta.

Lá do alto podia enxergar as cidades cheias de luzes, onde provavelmente suas primas e irmãs já tinham encontrado um amor, mas, ao ver as montanhas, os oceanos e as nuvens que mudavam de forma a cada minuto, a mariposa começou a amar cada vez mais sua estrela, porque era ela quem a empurrava para ver um mundo tão rico e tão lindo.

Muito tempo depois resolveu voltar à sua casa e aí soube pelos vizinhos que sua mãe, suas irmãs e primas tinham morrido queimadas nas lâmpadas e nas chamas das velas, destruídas pelo amor que julgavam fácil.

A mariposa, embora jamais tenha conseguido chegar à sua estrela, viveu muitos anos ainda, descobrindo que, às vezes, os amores difíceis e impossíveis trazem muito mais alegrias e benefícios que aqueles amores fáceis e que estão ao alcance de nossas mãos.

Com esta lenda aprendemos duas coisas: valorizar o amor e lutar pelos nossos sonhos, porque sabemos que é a realização deles que nos faz feliz.

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O mundo está nas mãos daqueles que têm coragem de sonhar, e correr o risco de viver seus sonhos.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Ser Feliz Ou Ter Razão?

Oito da noite, numa avenida movimentada. O casal está atrasado para jantar na casa de alguns amigos. O endereço é novo, assim como o caminho que ela conferiu no mapa antes de sair. Ele dirige o carro. Ela o orienta, pede para que vire na próxima rua à esquerda. Ele tem certeza de que é à direita. Discutem. Percebendo que, além de atrasados, poderão ficar mal-humorados, ela deixa que ele decida. Ele vira à direita e percebe que estava errado. Ainda com dificuldade, ele admite que insistiu no caminho errado, enquanto faz o retorno. Ela sorri e diz que não há problema algum em chegar alguns minutos mais tarde. Mas ele ainda quer saber: “Se você tinha tanta certeza de que eu estava tomando o caminho errado, deveria insistir um pouco mais”. E ela diz: “Entre ter razão e ser feliz, prefiro ser feliz. Estávamos à beira de uma briga, se eu insistisse mais, teríamos estragado a noite”.

Essa pequena história foi contada por uma empresária durante uma palestra sobre simplicidade no mundo do trabalho. Ela usou a cena para ilustrar quanta energia nós gastamos apenas para demonstrar que temos razão, independentemente de tê-la ou não. Não se trata de abolir a razão e buscar a felicidade por meio da aprovação do outro a qualquer custo. Também não significa deixar de expressar suas opiniões. Uma atitude assim poderia gerar muitas injustiças. Trata-se de avaliar quando realmente é necessário argumentar pela razão, e quando isso é apenas uma perda de energia desnecessária, comprometendo nosso bem-estar.

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“A meta de uma discussão ou debate não deveria ser a vitória, mas o progresso.”

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Indecisões

Um dia você está aqui, mas quer estar lá.
Outro dia você está lá, mas quer estar aqui.

E lá vai você perdido pela vida, sem saber o que quer, nem aonde ir.

Um dia você está sozinho, mas quer encontrar o amor.
Outro dia você o encontrou, mas quer voltar a ficar sozinho.

E lá vai você seguindo com o coração vazio, sem saber porque não recebe de ninguém o seu merecido carinho.

Um dia você está desempregado, e quer logo trabalhar.
Outro dia você está trabalhando, mas não pára de reclamar.

E lá vai você sem dinheiro uma vez mais, sem saber porque nenhuma empresa quer lhe empregar.

Um dia você acusa seus pais, tentando achar um culpado.
Outro dia culpa Deus, por não ser afortunado.

E lá vai você desperdiçando outra oportunidade de ter uma vida produtiva, com alegria e aprendizado.

Um dia, em plena vida, você acha que tudo desaparecerá quando morrer.
Outro dia, além da morte, descobre que a vida teima em continuar, e seus problemas ainda estão com você.

E lá vai você esperando uma nova chance de reencarnar e estar na Terra novamente.

Será que dessa vez você vai viver seu presente ou vai apenas seguir desejando uma situação diferente?

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É preferível errar com convicção a viver com a incerteza do talvez, não acham?

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Amigos e amigos...

Eu e você somos amigos,
Você fica alegre, eu fico alegre...
Você fica triste, eu fico triste...
Por favor, fique rico!

Eu e você somos amigos,
Você briga, eu brigo...
Você se machuca, eu me machuco...
Você chora, eu choro...
Você pula de uma ponte...
Eu vou sentir saudades, seu besta.

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"Os amigos nem sempre conseguem levantar você, mas fazem de tudo para não deixar você cair."

Essa é uma homenagem de humor às grandes amizades que possuo!

terça-feira, 26 de agosto de 2008

A Flor da Honestidade

Conta-se que por volta do ano 250 a.c, na China antiga, um príncipe da região norte do país estava às vésperas de ser coroado imperador, mas, de acordo com a lei, ele deveria se casar.

Sabendo disso, ele resolveu fazer uma “disputa” entre as moças da corte ou quem quer que se achasse digna de sua proposta. No dia seguinte, o príncipe anunciou que receberia, numa celebração especial, todas as pretendentes e lançaria um desafio.

Uma velha senhora, serva do palácio há muitos anos, ouvindo os comentários sobre os preparativos, sentiu uma leve tristeza, pois sabia que sua jovem filha nutria um sentimento de profundo amor pelo príncipe.

Ao chegar em casa e relatar o fato à jovem, espantou-se ao saber que ela pretendia ir à celebração, e indagou incrédula:

- Minha filha, o que você fará lá? Estarão presentes todas as mais belas e ricas moças da corte. Tire esta idéia insensata da cabeça, eu sei que você deve estar sofrendo, mas não torne o sofrimento uma loucura.

E a filha respondeu:

- Não, querida mãe, não estou sofrendo e muito menos louca, eu sei que jamais poderei ser a escolhida, mas é minha oportunidade de ficar pelo menos alguns momentos perto do príncipe, isto já me torna feliz.

À noite, a jovem chegou ao palácio. Lá estavam, de fato, todas as mais belas moças, com as mais belas roupas, com as mais belas jóias e com as mais determinadas intenções. Então, finalmente, o príncipe anunciou o desafio:

- Darei, a cada uma de vocês, uma semente. Aquela que, dentro de seis meses, me trouxer a mais bela flor, será escolhida minha esposa e futura imperatriz da China.

A proposta do príncipe não fugiu às profundas tradições daquele povo, que valorizava muito a especialidade de “cultivar” algo, sejam costumes, amizades, relacionamentos etc…

O tempo passou e a doce jovem, como não tinha muita habilidade nas artes da jardinagem, cuidava com muita paciência e ternura a sua semente, pois sabia que se a beleza da flor surgisse na mesma extensão de seu amor, ela não precisava se preocupar com o resultado.

Passaram-se três meses e nada surgiu. A jovem tudo tentara, usara de todos os métodos que conhecia, mas nada havia nascido. Dia após dia ela percebia cada vez mais longe o seu sonho, mas cada vez mais profundo o seu amor.

Por fim, os seis meses haviam passado e nada havia brotado. Consciente do seu esforço e dedicação a moça comunicou a sua mãe que, independente das circunstâncias retornaria ao palácio, na data e hora combinadas, pois não pretendia nada além de mais alguns momentos na companhia do príncipe.

Na hora marcada estava lá, com seu vaso vazio, bem como todas as outras pretendentes, cada uma com uma flor mais bela do que a outra, das mais variadas formas e cores.

Ela estava admirada, nunca havia presenciado tão bela cena.

Finalmente chega o momento esperado e o príncipe observa cada uma das pretendentes com muito cuidado e atenção. Após passar por todas, uma a uma, ele anuncia o resultado e indica a bela jovem como sua futura esposa.

As pessoas presentes tiveram as mais inesperadas reações. Ninguém compreendeu porque ele havia escolhido justamente aquela que nada havia cultivado. Então, calmamente o príncipe esclareceu:

- Esta foi a única que cultivou a flor que a tornou digna de se tornar uma imperatriz. A flor da honestidade, pois todas as sementes que entreguei eram estéreis.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Viver

"Todos os anos, nesta hora de oração, eu observo seus rostos e vejo algo indefinível em suas expressões.
Sei lá, um misto de alegria e tristeza, não sei se tristeza é a palavra certa, talvez apreensão.
Antigamente, eu não entendia o porquê.
Hoje, um pouco mais velho, um pouco mais maduro, um pouco mais vivido, um pouco mais sensível, eu acho que consigo compreender.
A matemática da vida não é simples.
Cada soma é também uma subtração. Quando somamos mais um ano àqueles que já vivemos, subtraímos um ano daqueles que nos restam para viver.
Então, a felicidade de estarmos aqui hoje vem acompanhada da melancólica percepção de que o tempo voa e a vida passa. Nessa hora de oração, talvez mais do que em qualquer outra, sentimos a urgência de viver.
Tedy Kollek, o dinâmico prefeito de Jerusalém, propõe em sua autobiografia um 11º mandamento: "Não serás paciente".
À primeira vista, tal conselho parece ir contra uma das qualidades mais valorizadas pela humanidade: a paciência é uma virtude.
No entanto, ao refletirmos sobre as palavras de Kollek, percebemos que elas contêm uma grande sabedoria.
A impaciência é necessária para remediar nossa tendência tão humana de protelar.
Pois a verdade é que, em muitas áreas vitais de nossa existência, somos pacientes demais.
Esperamos demais para fazer o que precisa ser feito, num mundo que só nos dá um dia de cada vez, sem garantia de amanhã.
Enquanto lamentamos que a vida é curta, agimos como se tivéssemos à nossa disposição um estoque inesgotável de tempo.
Esperamos demais para dizer palavras de perdão que devem ser ditas, para pôr de lado rancores que devem ser expulsos, para expressar gratidão, para dar ânimo, para oferecer consolo.
Esperamos demais para ser pais de nossos filhos pequenos, esquecendo quão curto é o tempo que eles são pequenos, quão depressa a vida os faz crescer e ir embora.
Esperamos demais para ler os livros, ouvir as músicas, ver os quadros que estão esperando para alargar a nossa mente, enriquecer nosso espírito e expandir nossa alma.
Esperamos demais para enunciar as preces que estão esperando para atravessar nossos lábios, para executar as tarefas que estão esperando para serem cumpridas, para demonstrar o amor que talvez não seja mais necessário amanhã.
Esperamos demais nos bastidores, quando a vida tem um papel para desempenharmos no palco.
Deus também está esperando.
Esperando nós pararmos de esperar.
Esperando nós começarmos a fazer tudo aquilo para o qual este dia e esta vida nos foram dados.
Meus amigos, é hora de viver."
(Henry Sobel - presidente da Congregação Israelita Paulista)


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Viva plenamente, faça coisas que você nunca fez. Perca o medo, continue gostando do que é antigo mas é bom, ajude pessoas que você nunca imaginou, perdoe seus desafetos, tenha gestos de grandeza, cante debaixo do chuveiro, encontre um amor (se ainda não tiver), curta os amigos, marque um gol de placa e ganhe dinheiro!