Sentir raiva e gostar, é quase a mesma coisa.
Ódio e Amor. Tanto faz.
As pessoas que detestamos ocupam um tempo em nossas cabeças: o tempo para detestá-las, o tempo de arquitetar planos imaginários ou reais em que a pessoa odiada se ferra, enquanto que nós nos damos bem. O tempo em que gastamos para falar mal dela para terceiros. O tempo em que nos preocupamos em sobrepor nossas idéias e nossos pontos de vista como os melhores e verdadeiros. O tempo que gastamos para provar o quão louca e sem razão é a pessoa que detestamos.
Sentir raiva demanda muito de nossas energias e aproxima. Como a raiva aproxima! Nos põe no mesmo barco, quase amantes. A indiferença sim, distancia. A indiferença coloca a pessoa odiada do tamanho de uma formiga, e tudo o que a formiga fizer, não atinge. A indiferença não pressupõe vinganças, ataques obscuros, e na raiva, tudo é obscuro. Enquanto no amor se pode dividir os sentimentos, partilhar, conversar sobre os problemas e conflitos, na raiva tudo é simulado e nada é conversado ou esclarecido. Começando por negar a própria raiva e simular indiferença. Fingir que essa pessoa tão detestada é aquela formiguinha que não nos atinge.
Finge-se indiferença enquanto que na verdade se detesta do fundo do coração.
E como dói! Dói tanto não gostar que tantas vezes ficamos tentados a chegar às pessoas que detestamos e abrir nosso coração, e esclarecer tudo, botar em pratos limpos todos os motivos do ódio, que basicamente, independente de toda a situação que gerou o conflito, e é só um:
“Olha, eu lhe detesto por você ser o que é, porque você tem uma lista de defeitos intoleráveis. Todo mundo tem defeitos, certo, ninguém é perfeito. Mas os seus são inaceitáveis! Eu não posso aceitar alguém como você, compreende?”
Mas, quando se tem a liberdade de chegar a uma pessoa e desfilar sua lista de defeitos na intenção de esclarecer e limpar uma situação é porque se tem um vínculo de amizade muito maior do que qualquer raiva que tenha surgido, e provavelmente se é mais amigo do que inimigo.
O verdadeiro inimigo não lhe dá essa liberdade. Para o inimigo não se pode abrir o coração porque muito provavelmente ele irá tripudiar de seus sentimentos. O inimigo falta com a verdade, e lhe negará a raiva que também sente por você, e dirá: “ora, eu não lhe odeio, você para mim é uma formiguinha”.
O inimigo não quer a verdade, ele quer vencer. Quer vencer sobre você e não tem melhor arma para ele do que a sua disposição para abrir o coração. E ainda tem mais: quando se vence seu inimigo, quando se diz a última palavra, quando se tripudia e se consegue, finalmente, humilhar tão vil pessoa, essa a quem se detesta, o coração não se alivia e continua amargurado, continua com aquela mesma ambigüidade da raiva, porque a raiva atrai. Já não disse isso? Sentir raiva e gostar, ambos os sentimentos ligam as pessoas e as põe no mesmo barco.
Para aliviar o coração que odeia só há dois caminhos: aceitar e amar o inimigo como a pessoa que ele é e com todos os seus defeitos, ou perceber que realmente ele é alguém que não vale a pena e então descarta-o verdadeiramente, o que compreende não odiá-lo, ou perder qualquer segundo sentindo raiva por sua pessoa. E ambas as coisas são difíceis.
******
A amizade não se busca, não se sonha, não se deseja; ela exerce-se, é uma virtude. A única maneira de fazer amigos é sê-lo nós próprios.
(Simone Weil)
Ódio e Amor. Tanto faz.
As pessoas que detestamos ocupam um tempo em nossas cabeças: o tempo para detestá-las, o tempo de arquitetar planos imaginários ou reais em que a pessoa odiada se ferra, enquanto que nós nos damos bem. O tempo em que gastamos para falar mal dela para terceiros. O tempo em que nos preocupamos em sobrepor nossas idéias e nossos pontos de vista como os melhores e verdadeiros. O tempo que gastamos para provar o quão louca e sem razão é a pessoa que detestamos.
Sentir raiva demanda muito de nossas energias e aproxima. Como a raiva aproxima! Nos põe no mesmo barco, quase amantes. A indiferença sim, distancia. A indiferença coloca a pessoa odiada do tamanho de uma formiga, e tudo o que a formiga fizer, não atinge. A indiferença não pressupõe vinganças, ataques obscuros, e na raiva, tudo é obscuro. Enquanto no amor se pode dividir os sentimentos, partilhar, conversar sobre os problemas e conflitos, na raiva tudo é simulado e nada é conversado ou esclarecido. Começando por negar a própria raiva e simular indiferença. Fingir que essa pessoa tão detestada é aquela formiguinha que não nos atinge.
Finge-se indiferença enquanto que na verdade se detesta do fundo do coração.
E como dói! Dói tanto não gostar que tantas vezes ficamos tentados a chegar às pessoas que detestamos e abrir nosso coração, e esclarecer tudo, botar em pratos limpos todos os motivos do ódio, que basicamente, independente de toda a situação que gerou o conflito, e é só um:
“Olha, eu lhe detesto por você ser o que é, porque você tem uma lista de defeitos intoleráveis. Todo mundo tem defeitos, certo, ninguém é perfeito. Mas os seus são inaceitáveis! Eu não posso aceitar alguém como você, compreende?”
Mas, quando se tem a liberdade de chegar a uma pessoa e desfilar sua lista de defeitos na intenção de esclarecer e limpar uma situação é porque se tem um vínculo de amizade muito maior do que qualquer raiva que tenha surgido, e provavelmente se é mais amigo do que inimigo.
O verdadeiro inimigo não lhe dá essa liberdade. Para o inimigo não se pode abrir o coração porque muito provavelmente ele irá tripudiar de seus sentimentos. O inimigo falta com a verdade, e lhe negará a raiva que também sente por você, e dirá: “ora, eu não lhe odeio, você para mim é uma formiguinha”.
O inimigo não quer a verdade, ele quer vencer. Quer vencer sobre você e não tem melhor arma para ele do que a sua disposição para abrir o coração. E ainda tem mais: quando se vence seu inimigo, quando se diz a última palavra, quando se tripudia e se consegue, finalmente, humilhar tão vil pessoa, essa a quem se detesta, o coração não se alivia e continua amargurado, continua com aquela mesma ambigüidade da raiva, porque a raiva atrai. Já não disse isso? Sentir raiva e gostar, ambos os sentimentos ligam as pessoas e as põe no mesmo barco.
Para aliviar o coração que odeia só há dois caminhos: aceitar e amar o inimigo como a pessoa que ele é e com todos os seus defeitos, ou perceber que realmente ele é alguém que não vale a pena e então descarta-o verdadeiramente, o que compreende não odiá-lo, ou perder qualquer segundo sentindo raiva por sua pessoa. E ambas as coisas são difíceis.
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A amizade não se busca, não se sonha, não se deseja; ela exerce-se, é uma virtude. A única maneira de fazer amigos é sê-lo nós próprios.
(Simone Weil)

Um comentário:
indescritível..........
bjão menino
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